Região Carbonífera | Operação policial busca combater fraudes em licitação da Companhia Riograndese de Mineração - CRM

Está sendo deflagrada na manhã desta quinta-feira (07) uma operação policial denominada Cinerum que em latim, significa cinzas, fazendo alusão ao serviço prestado à estatal.

A ação visa combater crimes de fraudes em licitação e associação criminosa praticados em detrimento dos cofres públicos da Companhia Riograndense de Mineração. Na Região Carbonífera estão sendo cumpridos mandados de busca em Charqueadas, Butiá e Minas do Leão. No total são dez ordens judiciais que incluem ações em Porto Alegre e Alvorada.

Segundo as informações preliminares da Polícia Civil, as investigações apontam fraudes durante consulta de preços visando contratações emergenciais de empresa para realizar transporte de cinzas no âmbito da CRM.

Cerca de 50 policiais cumprem 10 mandados de busca na sede da empresa em Porto Alegre, e em endereços comerciais e residenciais nos demais municípios.

Os alvos são quatro prestadoras de serviços que eram contratadas emergencialmente para realizar transporte de cinzas. No esquema, a vencedora da licitação desistia subitamente do negócio por suposta incapacidade de realização do serviço. Por conta disso, o contrato era passado para a segunda colocada no pregão eletrônico, cuja propriedade pertencia aos mesmos sócios da terceira. As empresas funcionam, inclusive, no mesmo prédio, com CNPJs diferentes.

A Contadoria e Auditoria Geral do Estado (Cage) foi responsável pela denúncia, em 2017, após identificar irregularidades nas contratações. O órgão já havia relatado questões atípicas desde 2013. De acordo com o DEAT, a CRM seria vítima das fraudes.

O prejuízo aos cofres da CRM é estimado em R$ 9 milhões. A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). 

Segundo o delegado Max Otto Ritter, conforme aponta o trabalho investigativo, a quarta concorrente dos certames não teria qualquer condição de participar da concorrência, dando indícios de servir apenas como fachada para o crime. Os nomes das empresas não foram divulgados.