Charqueadas | MP irá recorrer da decisão que determina retorno de líderes de facções para presídios na cidade

O Ministério Público irá recorrer das decisões dos juízes da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre que negaram pedido do MP para renovação da permanência em presídios federais de 17 dos 27 presos transferidos há um ano, durante Operação Pulso Firme. No dia 28 de julho de 2017 uma grande estrutura foi montada, numa operação conjunta entre diversos órgãos e instituições públicas, a fim de garantir a transferência para outros Estados de detentos, considerados de alta periculosidade, que atuam ou comandam facções criminosas no Rio Grande do Sul.

 

No último dia 13, seguindo trâmites legais, as manifestações do Ministério Público pelas renovações das transferências dos presos foram protocoladas junto ao Poder Judiciário. O MP entende haver absoluta necessidade da permanência desses detentos em prisões de segurança máxima.

 

Dos 24 com pedidos de renovação, 17 foram negados, todos em processos que tramitam na Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre.

 

Os demais magistrados, da Vec Canoas, Vec Novo Hamburgo, Vec Pelotas e Vara do Juri POA, manifestaram-se favoravelmente à permanência dos presos já transferidos. “Todos os processos encontram-se devidamente instruídos, com elementos suficientes para a manutenção das medidas, prova disso é que vários juízes de comarcas do interior do Estado manifestaram-se pelo seu deferimento”, disse o subprocurador-geral Institucional, Marcelo Dornelles. Segundo ele, o MP vê com muita preocupação as decisões da VEC de Porto Alegre, porque o retorno desses presos ao Rio Grande do Sul poderá resultar em retrocesso no combate a criminalidade.

 

Na opinião do MP, o retorno destes criminosos afetará significativamente a estratégia adotada pelos órgãos de segurança para atacar o avanço do crime organizado no Estado. “A transferência dos líderes de facções influenciou diretamente na redução do número de homicídios em locais onde estes grupos atuam especialmente na Região Metropolitana de Porto Alegre, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública”. Disse, ainda, que o MP confia na reversão destas decisões no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, uma vez que a responsabilidade pela na manutenção da ordem e de segurança é de todas as instituições e Poderes de Estado, incluindo o Poder Judiciário.

 

Presos de alta periculosidade que cumpriam pena na Região Carbonífera, em Charqueadas e que correm o risco de voltar ao complexo prisional do Estado:

 

Cássio Alexandre Ribeiro, 37 anos, conhecido como Vida Loca, foi preso em junho de 2014 dentro de uma loja, no Centro de Santa Cruz, com duas armas. Na época, ele era investigado por assaltos e suspeito de executar pessoas para o tráfico de drogas na região.

 

Diego Moacir Jung, o Dieguinho, 34 anos: seria um dos principais especialistas em roubo a banco com explosivos, tem ligações com o PCC. Tem cinco condenações por roubo e uma por porte ilegal de arma de fogo.

 

Jonatha Rosa da Cruz, o Bito, 35 anos: integrante da gangue da Ladeira, seria um dos responsáveis pelos ataques a bancos em cidades pequenas. Foi condenado por roubo, porte ilegal de arma e receptação.

José Carlos dos Santos, o Seco, 38 anos: natural de Candelária, Seco foi o líder uma das principais quadrilhas de roubo a banco do estado. Suas condenações por latrocínio, roubo a banco e carro-forte somam 173 anos.

 

José Marcelo Reyes Morales, 40 anos: membro da quadrilha dos Tauras, tem condenações por tentativa de homicídio e roubo com extorsão.

 

Letier Ademir Silva Lopes, 35 anos: vinculado à facção dos Abertos, o homem natural de Santo Cristo foi condenado por tráfico de drogas, homicídio, roubo e extorsão e tentativa de homicídio.

 

Márcio Oliveira Chultz, Alemão Márcio, 36 anos: gerente da facção Bala na Cara, tem condenações por homicídios, porte ilegal de armas e crime contra a fé pública.

 

Marcos José Viotti, o Mineiro, 46 anos: natural de São Paulo, teria tentado um ingresso do PCC em Porto Alegre. Tem condenações por roubo com extorsão, tráfico de drogas e receptação.

 

Milton de Mello Ferraz, 46 anos: líder da Gangue dos Milton, com atuação no Bairro Restinga em Porto Alegre. Tem duas condenações por homicídio, uma por tráfico e outra por lesão corporal seguida de morte.

 

Tiago Gonçalves Prestes, 32 anos: membro da quadrilha dos Tauras, associado à facção Os Manos. Tem uma condenação por homicídio.

 

Vanderlei Luciano Machado, o Lelei, 39 anos: membro da facção Os Manos, com laços no PCC. Começou com os roubos a banco e hoje seria coordenador de uma rede de tráfico na Região Metropolitana. Tem 11 condenações por roubo, uma por tráfico, uma por homicídio, uma por estelionato e outra por tentativa de homicídio.

 

Adriano Pacheco Espíndola, o Baiano, 29 anos: líder da quadrilha Primeira, do Bairro Restinga em Porto Alegre. Tem duas condenações por homicídios.

 

Anderson Bueno Martins, o Fofo, 42 anos: seria líder de quadrilha especializada em roubos a bancos e caixas eletrônicos. Foi condenado por homicídio, roubo, latrocínio e porte ilegal de arma.

 

Caio Cezar Pereira da Silva, o Caio Loko, 31 anos: líder da quadrilha V7, tem condenações por tráfico de drogas e homicídios.

 

Leonardo R. de Souza, o Peixe, 35 anos: líder do tráfico no Morro da Embratel, na Capital. Foi condenado por tráfico de drogas.

 

Risclei Bueno Martins, 36 anos: faz parte de quadrilha de roubo a bancos e ataques a carros-forte. Tem quatro condenações por roubo e duas por porte ilegal de arma de fogo.

 

Wagner Nunes Rodrigues, o Minhoquinha, 32 anos: seria articulador da facção Bala na Cara, irmão do traficante José Dalvani Nunes Rodrigues, o Minhoca. Foi condenado por homicídio e roubo com extorsão.