Charqueadas | Comissão de saúde denuncia contaminação do meio ambiente em área da Masterzinc

A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Charqueadas denuncia contaminação em área da Masterzinc, empresa que trabalhava com galvanização no Distrito Industrial da cidade.

Em entrevista ao Programa Região por Dentro do Rádio da Gazeta do Jacuí FM, na manhã da terça-feira (03), a vereadora Patrícia Ferreira, presidente da comissão revelou a situação do parque fabril da empresa que está desativada.

“Em abril deste ano realizamos um visita ao parque industrial. Naquela época a situação estava bastante crítica, percebemos tanques com material tóxico expostos, sem nenhum artifício de segurança. O setor do meio ambiente da prefeitura entrou em contato com a Fepam. O município aguardou então manifestação e presença da entidade na cidade, o que não aconteceu”, disse a vereadora.

Conforme a parlamentar, na segunda-feira, dia 2, ela foi procurada novamente por ex-funcionários da empresa e compareceu ao local para averiguar o problema. “Fui até o local e constatei que a situação está insustentável. Encaminhamos na parte da tarde junto à promotoria da cidade de Charqueadas, um relatório minucioso referente a atual situação do passivo ambiental”, emendou.

De acordo com o que foi revelado pela vereadora em entrevista à emissora, ao Ministério Público foi apresentado um Termo de Informação, assinado pela parlamentar, representando a comissão e pelos dois ex-funcionários da empresa, dando ciência dos danos que podem resultar a contaminação. Protocolaram o documento, Patrícia, a vereadora Pamela Lemos (relatora) e o advogado Ricardo Vieira, do jurídico da Casa Legislativa. “Na segunda-feira que vem (dia 9) está agendada uma conversa com o Promotor”, informou Patrícia.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS – A Masterzinc possui um histórico de problemas ambientais. A empresa foi interditada pela Polícia Ambiental de São Jerônimo e pela Fepam – Fundação Estadual do Meio Ambiente em junho de 2013. A empresa estaria descumprimento ítens da Licença de Operação, que regulamenta condições para realização do trabalho. Os principais problemas apontados na época foram no armazenamento dos resíduos sólidos e efluentes líquidos. Em 2012, a Gazeta Mineira trouxe a denúncia de um produtor rural dando conta de que animais de seu rebanho morreram após ingerir água de um valo, onde a empresa estava desaguando material.

RELEMBRE - Na página 05 da edição n° 34 da Gazeta Mineira, publicada no dia 20 de julho de 2012, o produtor rural João Willian Gauze realizou uma denúncia de que alguns animais de sua propriedade teriam morrido após ingerirem água contaminada. João Gauze levantou a suspeita de que a água estava sendo contaminada pelo material despejado pela empresa em um valo lindeiro a sua propriedade rural. Gauze contratou um laboratório técnico para analisar a água existente no referido valo e o resultado constatou a presença de materiais pesados, alto teor de zinco (20,81 mg/litro), sendo que o limite aceitável para uma água pura é de 5mg/litro. A coleta para referido laudo ocorreu no dia 19 de junho do mesmo ano. No mesmo laudo foi constatado também alto nível de Chumbo, Cobre, Cromo e Níquel.

Em dezembro de 2014, a empresa foi condenada em uma ação indenizatória movida pelo produtor rural. A informação é do advogado Endrigo Durgante Oliveira, representante do produtor. Na ocasião, ficou determinada a indenização por danos materiais no valor de mercado de onze bovinos mortos, quantia de R$ 22.000,00, acrescida de correção monetária pelo IGPM e com juros de 1% ao mês. A Masterzinc foi condenada ainda por danos morais de R$ 5.000,00. Na ação, o Poder Judiciário determinou que a empresa cessasse o descarte de resíduos contaminados com metais pesados no meio ambiente, devendo, em primeiro lugar, realizar o tratamento de tais resíduos, sob pena de incidir em multa diária no valor de R$ 500,00, limitados a 30 dias/multa. A empresa nunca pagou o produtor pela ação, conforme detalhou Endrigo.